VELAS DE IGNIÇÃO, Durs Grünbein
Título: VELAS DE IGNIÇÃO
Autor: Durs Grünbein
Título original: ZÜNDKERZEN
© Suhrkamp Verlag GmbH, Berlin, 2017.
All rights reserved by and controlled through Suhrkamp Verlag GmbH Berlin.
Tradução: Maria Teresa Dias Furtado
Revisão: Rui Miguel Ribeiro e Mariana Pinto dos Santos
Design e paginação: Rui Miguel Ribeiro
Imagem na capa: detalhe da aguarela Umbrella pines in the Villa Borghese, Rome (1839), de William James Müller.
1a edição
Saguão 44
Março de 2026
tiragem 1000 exemplares
ISBN: 9789893666609
Depósito Legal: 561199/26
A tradução desta obra realizou-se com o apoio do Goethe-Institut

Durs Grünbein é um dos mais reconhecidos poetas actuais e uma voz incontornável na poesia europeia. Em 2025, a obra Psyche Running, uma selecção da sua poesia, compreendida entre os anos 2005 e 2022, traduzida em língua inglesa por Karen Leeder, recebeu o prémio Griffin de poesia. Velas de Ignição é uma colectânea de 83 poemas, distribuídos por oito capítulos, e variando na sua forma e nos seus temas, que vão desde a memória da infância no pós-guerra em Dresden até invocações que convocam o discurso inter-artes, bem como o seu interesse pela Ciência e Neurociência. Recorrendo muitas vezes à ironia, ao sarcasmo, não deixa de lançar um olhar crítico sobre a actualidade, em particular na Europa, abordando o ambiente degradado das questões de emigração e imigração, entre outras questões candentes na mudança de paradigma pela qual estamos a passar. Trata-se de um observador da realidade, curioso pelas coisas que nos são mais próximas, muito atento ao seu desaparecimento.
VERBOS BRANCOS
Todos os verbos brancos são invisíveis.
Giram em torno de actividades que não se aprendem.
Chamam-se desaparecer, apagar, morrer
E conduzem a lugares desabitados.
Imperceptíveis, deslizam pelo espaço.
Chamam-se decomposição, dispersão. Apagam
Com uma mão fantasma o que alguma vez existiu.
Embrulham o pensamento na neve que cai, na neblina,
E começam como os traços de giz no quadro da escola.
Dão à linguagem o impulso final.
Nevar é um destes verbos, congelar.
Envelhecer é outro, desesperar, expirar.
São capazes de desfazer os nós da sabedoria.
Existem enquanto nódoas cegas errantes.
Existem na margem de todas as psiques.
Os verbos brancos mal dão que falar de si.
Trabalham a fundo, neles pode-se confiar.
Existem, assim como existe o amor.
Operam encobertos
E avançam silenciosamente ao abrigo dos substantivos.
Visam horizontes, que nada alcançam.

