PENSAMENTOS

de Giacomo Leopardi

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PENSAMENTOS de GIACOMO LEOPARDI, no ÍPSILON por Hugo Pinto Santos

Misantrópico amante da humanidade

«Leopardi incorporara de tal forma a torrente imemorial dos Antigos, que podia manejá-la, lírica e subjectivamente, como se reescrevesse o clássico por dentro. […] Os exemplos canónicos servem-lhe como auctoritates, mas também como armas de arremesso, técnicas de ataque e instrumentos de uma ironia implacável. É o caso de Marcial, “que, quando alguém lhe perguntava por que motivo não lhe lia os seus versos, respondia ‘para não ouvir os teus’” (p.43). […] Em tudo quanto escreveu, esteve sempre presente o mesmo cuidado formal, um empenho infatigável em fazer jus aos modelos e às realizações do passado, cunhando sobre elas o que provinha de uma personalidade literária idiossincrática e de enorme força.»

Ler artigo completo: https://www.publico.pt/2018/10/12/culturaipsilon/critica/misantropico-amante-da-humanidade-1846811

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PENSAR DEPOIS NO CAMINHO de ALBERTO PIMENTA, no ÍPSILON por Hugo Pinto Santos

«Um poema de Alberto Pimenta motiva sempre uma descida inesperada e irremediável dos níveis de previsibilidade e segurança. Porque todo o trabalho de Pimenta é risco e imoderação. A sua actuação é de uma permanente imponderabilidade. O poema, este poema, é uma imparável máquina produtora (e revolucionária) de sentidos. A fluidez com que avança o verso, sem quase quebras estróficas ou organizadoras, equivale ao modo contínuo como os temas se entrelaçam uns pelos outros. E nadase torna acumulação, pois do que se trata é de uma certa naturalidade, uma espécie de inevitabilidade. É o modo altamente orgânico como os elementos se conhecem como afins; esse tónus ilocalizável que possuem as palavras e os seus agrupamentos quando é a arte de Pimenta que os coliga. Mais do que combinatória, é uma arte mágica, porque não enjeita o que há de sortílego na criação. […] O que, em Pimenta, mais impressiona é que a erudição nunca surge como um convidado inconveniente, uma excrescência — mas como aquilo que sempre lá devia ter estado, desde sempre, e para todos os efeitos.
[…]
Neste poema épico, Alberto Pimenta revisita uma herança comum de iniquidades e desmandos, de violentos acessos dos deuses às coisas da humanidade, de guerras como as de Tróia, mais do que uma vez lembrada, de indignidades de agora que são de sempre.»

[…]

Pensar depois no caminho é obra de um poeta profundamente sabedor de que “tudo se recombina” (A Magia Que Tira os Pecados do Mundo) e que a função da poesia é “ampliar o mundo/ não/ reduzi-lo ao tamanho de cromos” (De Nada, Boca, 2010). Um poeta que faz conviver, através de uma forma poética declaradamente exigente, as mais desavindas proveniências, que confluem na personagem colectiva que é a humanidade.»

— Hugo Pinto Santos, sobre PENSAR DEPOIS NO CAMINHO de ALBERTO PIMENTA, no suplemento Ípsilon, Jornal Público, 17.8.2018

https://www.publico.pt/2018/08/23/culturaipsilon/critica/a-epica-do-presente-continuo-1840896

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PENSAMENTOS de Giacomo Leopardi na Revista E do Semanário EXPRESSO por Pedro Mexia

“Há outras passagens notáveis nos “Pensamentos”, algumas das quais muito modernas, como a obsessão em ser “autor” ou o poder destrutivo e defensivo do riso. O tédio é um tema recorrente: muitas das vilezas que as pessoas fazem servem antes de mais para combater o tédio. Já a frivolidade é vista como um bem, porque não há convívio sem trivialidade. Mas uma e outra vez o texto volta à melancolia teatral dos jovens, aos velhos que acham que o clima mudou porque eles mudaram, aos jovens que à medida que o tempo passa se vão contentando com menos, aos velhos que coleccionam efemérides para impedir que o passado se apague. Leopardi evita casos na primeira pessoa, mas é fácil pressentirmos uma fortíssima ressonância autobiográfica. Porque ele nos aconselha, com evidente mágoa, a não confiarmos em ninguém; porque diz que só escolhe o bem quem não teve escolha; porque lamenta a insuficiência do mundo face à vastidão do espírito.”

— Pedro Mexia, sobre PENSAMENTOS de Giacomo Leopardi, Revista E do Semanário Expresso 25.08.2018

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Yvette Centeno sobre o novo livro de Alberto Pimenta: pensar depois no caminho

Texto completo no seu blog Literatura e Arte

«Porque este poeta não permite descanso: a sua força poética tem pulsão de performance,  mas tem igualmente a subtileza rara de uma erudição discreta, não menos exigente. Poesia de contrastes, como de contrastes é feita a sua personalidade, que assim se manifesta: no dito e no seu oposto, no aceite e no recusado – e sempre com uma veemência que nos apanha em contrapé.
Se num lado (pp.78-79) exprime em versos aparentemente tranquilos o que foi Tróia, com a Bela Helena, a sua perfeição, logo do outro nos atira à cara que Tróia já passou ( o que é verdade, em Alberto não encontramos mentiras ), que a história é isto, a festa acabou e ficou a louça para lavar…Os heróis, avisa ele, não eram ainda accionistas, mas já se adivinhava que viriam a ser / coisa / ah sim…E puxando-nos agora para a realidade que é a nossa e será a de sempre (do lado direito da página, racional, desconstruindo a narrativa fluida do lado do coração, memória mítica – abaixo com os mitos, e todos de uma só vez )
“quem lavou a louça / decerto os mesmos / de ontem e amanhã /
hoje com / outro encargo/ mecanizado / pois os accionistas / maquinaram / máquinas poupam e / fazem eles a festa lá longe /
enquanto aqui / infestam” …
Não percebiam?
Iam os leitores embalados nalgum sonho mais mítico e mais lírico? Acordem, a torrente que os arrasta é a verdade poética do mundo, deste mundo relido pelo reverso, não pelo verso.
Como seria fácil, a tanta cultura, o verso! A tanto pesadelo, o mirífico sonho, o ledo engano de alma..
Pimenta, o “HOMEM PYCANTE” de Edgar Pêra veio, e falou.» — Yvette Centeno, 17 de Junho, 2018

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Una questione privata, de Paolo e Vittorio Taviani na FESTA DO CINEMA ITALIANO

 

Paolo e Vittorio Taviani confrontam uma das obras mais importantes da literatura italiana, Una questione privata, de Beppe Fenoglio.
Este filme atesta a longa militância cinematográfica dos realizadores de Padre Padrone e de César Deve Morrer confirmando, em simultâneo, a juventude artística da dupla com uma obra de grande rigor filológico mas capaz de surpreender o espectador.

Em 1943, durante a guerra de libertação nas Langhe, as colinas áridas do sul do Piemonte, o militar Milton encontra-se dividido entre a luta contra os nazi-fascistas, a amizade com os companheiros da brigada e seu amor clandestino por Fulvia.

As Edições do Saguão prevêm editar esta obra em 2019.

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Recensão no ÍPSILON (Jornal Público) à BALADA DO VELHO MARINHEIRO

Balada foi o culminar de um longo processo de reflexão e amadurecimento de ideias que começaram a formar-se no espírito do poeta no Outono de 1797. Por esta altura, Coleridge debatia com Wordsworth o modo de dar expressão ao fascínio que sentia pelo modo narrativo da balada, nomeadamente a que havia sido praticada pelo poeta alemão G. A. Bürger — cujo Lenore fora, por essa altura, traduzido em Inglaterra. […] a tradução de Pimenta, parte da sua tese de licenciatura, demonstra a fulgurância dos seus poderes de escrita e reinvenção, bem como o desvelo com que este poeta tratou a música do poema […]

https://www.publico.pt/2018/01/04/culturaipsilon/critica/o-canto-enigmatico-do-mar-1797546

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Recensão à Balada do Velho Marinheiro de S. T. Coleridge (trad Alberto Pimenta)

«Poucos poetas têm a erudição e a inventiva de Pimenta, de modo que a tradução, obra de juventude, é muito engenhosa, mesmo quando se afasta da musicalidade original, procurando outra música igualmente cativante (…) (tão importante é a musicalidade que esta edição anota uma “pausa de semínima” a meio dos versos, um requinte que se estende à reprodução das gravuras de Gustave Doré e a todo o grafismo).

Recensão de Pedro Mexia à Balada do Velho Marinheiro de S. T. Coleridge, com tradução de Alberto Pimenta, na Revista E do Semanário Expresso, (Novembro, 2017)

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Yvette Centeno sobre a tradução de ALBERTO PIMENTA de A BALADA DO VELHO MARINHEIRO de S. T. COLERIDGE

«Embora eu saiba que num grande poeta o seu passado é presente e futuro, é da sua mais recente edição que pretendo falar, desta belíssima, tão intensa e comovente balada do Velho Marinheiro, de S.T. Coleridge (1772-1834), que Alberto recupera numa tradução como aquelas a que nos habitou, de excelência de domínio da língua na tradução que faz.
Alberto é um erudito, como não tem havido igual nas nossas Academias, mas discreto nas aparições que faz, ao editar o seu trabalho, que pode demorar anos até que surja. A sua Arte é paciente, como se deve, nos grandes autores.
Por isso me debruço sobre esta sua tradução, tão poética quanto o original de que parte, e tão carregada de simbolismo, que vou chamar de alquímico.»
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A BALADA DO VELHO MARINHEIRO

Balada do Velho Marinheiro - capa

 

 

As Edições do Saguão acabam de lançar o seu primeiro título: A Balada do Velho Marinheiro
de S. T. Coleridge (1817) numa edição bilingue com tradução e nota final de Alberto Pimenta
acompanhada de ilustrações a partir de cinco das gravuras de Gustave Doré
para a edição de 1876 do poema.

veja mais aqui.

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